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Realizador do filme “O Extreminador do Futuro”, alerta sobre a Inteligência Artificial no controlo das armas

Segundo James Cameron, uso indevido de inteligência artificial merece atenção, e pode levar a apocalipse como em ‘Exterminador do Futuro’


Hoje, o mundo vive um período marcado por várias turbulências e incertezas, com crises climáticas, inteligências artificiais e nações detendo de arsenais nucleares.


James Cameron alerta possível ‘apocalipse ao estilo do Exterminador do Futuro’ com IA
Segundo James Cameron, uso indevido de inteligência artificial merece atenção, e pode levar a apocalipse como em ‘Exterminador do Futuro’

Hoje, o mundo vive um período marcado por várias turbulências e incertezas, com crises climáticas, inteligências artificiais e nações detendo de arsenais nucleares.

Nesse contexto, o cineasta canadense James Cameron recentemente chamou atenção para esses fatores, e alertou que o uso indevido de inteligência artificial em uma corrida armamentista pode até mesmo implicar em um cenário distópico tal como pode ser visto em sua franquia ‘O Exterminador do Futuro‘.

Em entrevista recente à Rolling Stone, Cameron afirmou que, por mais que confie nas IAs profissionalmente, ele ainda se preocupa com o que pode acontecer caso ela seja utilizada com outras intenções, ao longo do tempo.

“Acho que ainda existe o perigo de um apocalipse ao estilo do Exterminador do Futuro, em que se junta a IA com sistemas de armas, até mesmo sistemas de armas nucleares, contra-ataques de defesa nuclear, tudo isso”, disse Cameron. “Como o teatro de operações é tão rápido, as janelas de decisão são tão curtas, seria necessária uma superinteligência para conseguir processar tudo, e talvez sejamos espertos e mantenhamos um humano informado”.

O cineasta ainda continua: “Mas os humanos são falíveis, e muitos erros foram cometidos que nos colocaram à beira de incidentes internacionais que poderiam ter levado a uma guerra nuclear. Então, eu não sei”.

“Sinto que estamos neste momento crucial do desenvolvimento humano, em que temos as três ameaças existenciais: o clima e a degradação generalizada do mundo natural, as armas nucleares e a superinteligência. Todas elas estão se manifestando e atingindo o ápice ao mesmo tempo. Talvez a superinteligência seja a resposta”, finaliza Cameron.

Em ‘O Exterminador do Futuro’, série de filmes que começou em 1984 estrelada por Arnold Schwarzenegger, é possível conhecer um futuro distópico em que a humanidade é governada por uma rede de defesa de inteligência artificial chamada Skynet que detonará um holocausto nuclear.

Embora ainda não tenhamos inteligências artificiais cuidando de arsenais nucleares, no cinema essa tecnologia já é empregada. Cameron inclusive conta com IA ativamente em seus trabalhos mais recentes, aproveitando da tecnologia para otimizar a produção, bem como ajudar a reduzir seus custos.

Em setembro do ano passado, Cameron ingressou no conselho de diretores da Stability AI, e no início deste ano afirmou que o futuro da produção de filmes de sucesso inevitavelmente vai depender da capacidade de “reduzir o custo [de efeitos visuais] pela metade”, e que essa redução não deve vir de demissões, mas da aceleração do ritmo de produção.

Porém, anteriormente, o cineasta já expressou certo ceticismo quanto a essas novas tecnologias, na possibilidade de substituir roteiristas. “Eu pessoalmente não acredito que uma mente desencarnada que fica apenas regurgitando o que outras mentes encarnadas disseram – sobre a vida que tiveram, sobre amor, sobre mentiras, sobre medo, sobre mortalidade – e simplesmente junta tudo em uma salada de palavras e depois regurgita… Não acredito que isso vá gerar algo que comova o público. É preciso ser humano para escrever isso”, disse na época.